segunda-feira

(...)
Silêncio. É que faço quando em ti penso. Não é por falta de palavra, nem tão pouco por falta de coisas por dizer. Não. É simplesmente por não estares mais aqui para as ouvir. É tão estranho. Contigo era sempre tão fácil ser sincera, ser genuína, ser eu. Nunca tive medo. Nunca. Podia fazer a maior a palhaçada, dizer a maior asneira do mundo. Não importava. Irias te rir ainda mais que eu. O quanto eu gostava de ouvir a tua gargalhada. Via-te tão feliz. Assustado, mas feliz. E sim, assustado, muito assustado. Com medo do que eu pudesse fazer, ou até dizer. Tinhas mais medo que eu. Qualquer gesto e eu te quebraria em um segundo. Mas arriscavas, a cada passo arriscavas cada vez mais. É tão difícil estar sem ti. Ver-te em cada canto, em cada música, em cada imagem, em cada frase, em cada momento e a toda a hora, no meu pensamento. Mata-me por dentro a saudade que guardo de ti e mata-me aos poucos a ausência que os dias me trazem. Dói. E dói mesmo. Tento convencer-me de que foi pelo melhor. Tento convencer-me de que há que seguir em frente. Mas, oh e lá vem aquela lembrança. "Se ele aqui estivesse diria..." Mas não estás. Não mais. Quero tanto lutar por nós. Quero tanto lutar por isto. Quero-te a ti. Por custa mais esquecer-te do que lutar para que isto resulte. Porque ficou tanto por dizer e tanto por viver. E tanto por amar. Como esqueço tudo isto e respeito o que tu queres? Porque não engoles esse teu orgulho e excessivo e percebes que 2 é melhor que 1 e 1? Não posso ser eu a dar tudo sem receber. Não há amor pela metade. Ou há ou não há. E se seguir em frente é o caminho, então é esse que devo seguir. A escolha é tua. Sempre foi.